sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ética e Política: relações e ralações

Há indicadores sociopolíticos evidentes que desvendam o gravoso desfasamento entre a juventude e o comprometimento político e institucional, que se repercute numa desinteressada abstenção nas votações, numa visão deteriorada sobre os políticos, bem como em níveis cada vez mais diminutos de intervenção cívica.

Parece-me um ponto assente que este hiato relacional entre os mais jovens e os veículos de poder se deve à irresponsabilidade e má exemplaridade de determinados agentes de poder, porquanto propagam de modo gritante a desligação entre ética e política, através de péssimos exemplos de má conduta na gestão dos bens públicos, visando somente o poder com ganância e populismo desenfreado.

Entre falsas promessas e verdadeiros incumprimentos, vigora uma descredibilização da política que empobrece a qualidade democrática, com especial enfoque crítico na classe política. Esperemos que a nova geração de políticos seja capaz de ser voz activa na renovação premente do mundo político, da gestão dos públicos ("res pública"), contribuindo para a credibilização da política local e nacional.

Um repto final em jeito de princípio do contraditório face ao populismo propagandista: prometam apenas o que podem cumprir. Eis um repto de qualidade democrática e de regeneração política.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Gravidez na Adolescência







Namorar é normal. Aliás, faz parte do crescimento e não implica obrigatoriamente relações sexuais. Como sabes, não é pelo facto de nascermos que andamos quando ainda só temos dois, três, quatro ou oito meses de vida. Entretanto, uma relação sexual, numa altura errada, pode originar uma gravidez sem planeamento, com todas as consequências pessoais, sociais e profissionais que daí podem advir. Por isso, ficarás privada(o) de viver intensamente a tua adolescência e juventude, sem esquecer o risco de uma transmissão de uma infecção sexualmente transmissível.

Ser mãe aos 14 anos foi normal em determinadas épocas, é normal em determinadas culturas e contextos «etnocêntricos», todavia convém não nos equivocarmos em situações peculiares e situacionais pois no tempo actual a mulher quer, obviamente, constituir família, mas também quer conquistar o mercado de trabalho, enveredar por uma carreira profissional. Mudam-se os tempos, mudam-se as visões do mundo, pelo que é imperioso hoje atender ao "planeamento familiar" para consiciencializar os casais da importância de um filho, do momento certo, da altura oportuna, do número de filhos, etc.

Caro adolescente, tem capacidade de espera, porque há um tempo certo para tudo, quem sabe esperar tudo vem a tempo!!! Deve ser um imperativo de consciência perceber o quão nuclear é dizer NÃO

Com a ideia na cabeça de que “nada pode acontecer” um número elevado de raparigas engravida. Se és rapariga, podes ficar grávida ou contrair uma doença sexualmente transmissível, mesmo que o teu parceiro te diga que “vai ter cuidado, que te ama, que nada de mal poderá acontecer, que ele sabe o que está a fazer e que estando com ele estás com Deus"... pensa que o conceito de "externabilidade" (a mim nada me acontece, só aos outros) está aí à porta e chama por ti a cada instante, pelo que te compete não o deixar entrar.

Assim, um par de namorados que decide ter relações sexuais antes do casamento deverá falar com um médico ou com um técnico de saúde que os aconselhará ao nível do planeamento familiar. Deve saber também que se porventura tiver uma relação sexual ocasional o deverá fazer de uma forma protegida com recurso ao preservativo. E, que no triste caso de violação, sendo rapariga, além de falares com os teus pais e com as autoridades policiais, deves falar com um médico imediatamente.

Tudo isto porque vigora uma dissonância entre a prática comportamental dos adolescentes, entusiastas, enérgicos, impetuosos e a proclamação da moral, que parece alienada das vivências de todos e de cada um.



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

As proporções da Comunicação: dois olhos, dois ouvidos, uma boca.

Temos como ponto assente que o ser humano apresenta diferentes proporções fisiológicas no concernente à comunicação: deve-se ouvir mas escutar muito; deve-se olhar mas ver muito; deve-se falar mas dizer muito. A pessoa humana é um ser de relação, de comunicação e sociabilização consigo mesmo, com os outros, com o mundo e com Deus, por isso dizia um antigo professor para que me cuidasse perante “homens demasiado calados”, sem preconceitos perante a importância do silêncio humano, a sensibilidade das personalidades reservadas e das timidezes excessivas.

Reza a História que o Rei da Prússia, grande filósofo e intelectual, discutia uma vez com um amigo, também intelectualmente distinto, sobre qual teria sido a primeira língua dos Homens. Para o Rei da Prússia teria sido o Grego, a mais bela e harmónica de todas as línguas, neste sentido todas as outras línguas seriam derivações desvirtuadas do Grego. Para o amigo do Rei a primeira língua foi o Hebraico, porque foi a língua que Deus elegeu para falar e se manifestar ao mundo. O Rei teve uma ideia: foi à “maternidade” buscar um recém-nascido e entregou-a ao cuidado de uma ama, alertando-a para que não dirigisse uma única palavra à criança. Assim se passaram largos anos, a criança cresceu e um dia foi vista a falar sozinha para o sol, algum tempo depois sucumbiu e morreu. Os médicos foram unânimes em considerar que a criança sofreu uma profunda disfunção cerebral, uma inércia intelectual, pessoal e social.

Moral da história o Homem, a pessoa, foi cunhada com o marco insuperável da relação, da comunicação e sociabilização. A solidão destrói o Homem, porque lhe nega uma dimensão essencial à sua subsistência em sociedade. O Homem realiza-se na e pela palavra.



terça-feira, 17 de novembro de 2009

Amor Omnia Vincit


«Nem tudo corre bem no amor, é preciso paciência, saber que o amor é uma aprendizagem para toda a vida, uma tarefa que nunca acaba, o amor pode adormecer mas nunca morrer. Conhecer o outro nos defeitos, entendê-los, conhecê-los e aceitá-los é uma exigência do amor. Saber que o diálogo, a confiança e o entendimento são as rochas que sustêm o amor. Saber que por detrás dum grande amor há imperiosamente uma grande história. Acredito que o amor é mais forte que a morte. O amor é paciente, procura o bem do outro, quer bem ao outro, não procura o próprio interesse. O amor é a maior sensação de absoluto que a humanidade pode aspirar. Amo-te é a palavra que diz tudo, esgotando num fluído todo o caudal sentimental que nos inunda. Amar é deleitar-se na perfeição. O amor é um milagre que raramente acontece. O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Quando o EU e o TU dão lugar a um NÓS, já não somos mais dois mas uma só carne que se ama e se une para além dos próprios limites, por isso jamais separe o Homem o que Deus uniu». N. M. R. C.

O código da estrada da responsabilidade sexual...

Diz-me o que vês...

Uma breve reflexão sobre homossexualidade

Encontros e Desencontros

«Duas miúdas de 14 ou 15 anos foram chamadas e repreendidas pelo conselho directivo da res­pectiva escola pelo facto de anda­rem a exibir a sua mútua atracção, através de beijos e apalpões, perante a plateia da escola. O caso chegou às televisões e aos jornais e, como era fatal que acontecesse, provocou a habitual erecção escandalizada dos mentores do politicamente correcto. Parece que, argumentam eles, a "repres­são" exercida sobre aquelas miúdas viola o sagrado direito constitucional à "liberdade de orientação sexual". Não lhes ocorreu que, antes de tudo, o que está em causa não é uma questão de orientação sexual, mas sim um comportamento infelizmen­te muito típico das comunidades gays e lésbicas, que é o exibicionismo sexual.

O problema não é as miúdas amarem-se ou desejarem-se intensamente: é que os restantes colegas da escola não têm nada a ver com isso, nem têm de ser expostos às demonstrações públicas de tais "afectos" (como costumam dizer os politicamente correctos). E é também, obviamente, uma questão de bom gosto, que vale para heteros ou homos. Esta teoria do primado absoluto do "direito à orientação sexual" está-se a tornar uma espécie de ditadura bem­pensante, que funciona por um método "terrorista" de silenciamento dos discordantes: quem não reconhece este sagrado direito constitucional, com todas as suas consequências, só pode ser uma abecerragem, ao estilo do Dr. João César das Neves.

É assim que o Tribunal Constitucional está à beira de declarar inconstitucional, com força obrigatória geral, a disposição do Código Penal que, a seu ver, "discrimina ilegitimamente" a pedofilia homossexual. Ou seja, os juízes entendem, por exemplo, que é exactamente igual um miúdo ser abusado ou violado por uma mulher ou por um homem. Sem curar de saber qual das situações poderá causar maior abalo e mais danos permanentes ou futuros à vítima, eles consideram que o essencial é preservar o direito à orientação sexual do abusador. Espanta-me que não ocorra a estes guardiões da Constituição nenhuma consideração relativa ao direito à orienta­ção sexual da vítima: e se o miúdo abusado não tem, nem nunca vier a manifestar ao longo da vida, qualquer propensão homos­sexual? Mesmo assim deve curvar-se ao intocável direito de orientação sexual do abusador? Desculpem-me que o diga com toda a franqueza, mas a aplicação cega deste principio parece-me tão repelente que a única conclusão lógica que eu con­sigo extrair é que as vítimas do caso Casa Pia, por exemplo, vão acabar por ter sido duplamente abusadas: pelos criminosos e pela Constituição. E lamento desiludir o Daniel Oliveira e demais vestais deste templo: nem sequer sou católico […]; nunca desco­bri em mim, vários exames de consciência feitos, qualquer orientação sexual homofóbica, e fui seguramente dos primeiros a defender publicamente a total igualdade de direitos, incluindo o casamento, para os homossexuais. Só não defendo o direito à adopção, porque aí, mais uma vez, entendo que o direito deles não se pode impor ao direito das crianças adoptadas, cuja von­tade não é lícito presumir. E eu não posso presumir que uma criança não se importe nem venha a sofrer pelo facto de ser criada por duas mães ou dois pais.

Voltando à escola das miúdas "repri­midas", o que eu penso é que os restantes alunos têm a liberdade correspondente à delas, que é a de não quererem saber nem terem de assistir às demonstrações da sua inclinação sexual. E os pais das crianças que frequentam a escola, algumas apenas com seis ou sete anos de idade, têm o direi­to de educarem sexualmente os seus filhos conforme entendem e no momento que entendem, sem que esse processo, que é complicado e sensível, possa ser afectado pela atitude voluntariamente desafiadora de exibicionistas sexuais que sempre existiram e existirão em qualquer esco­la. Além do mais, repito, trata-se de uma questão de boas maneiras e bom gosto - que são coisas que se devem ensinar e se devem aprender […].»

MIGUEL SOUSA TAVARES, Desencontros, in Público (18.11.2005), 7.