Este Blogue tem como pretensão essencial a partilha de reflexões e recursos pedagógicos no âmbito da ética, da moral, da religião e das ciências da educação, mormente conteúdos atinentes à EMRC, à Educação Especial e às Bibliotecas Escolares, visando, neste âmbito, a promoção de múltiplas literacias, a saber: digital, informação, média e leitura. Em súmula, ambiciona tornar-se um espaço de partilha na área das ciências da educação, da cultura e da informação.
sábado, 10 de abril de 2021
O ÓNUS DA PROVA E O ÓNUS DA (IN)DECÊNCIA
Não há nada de novo debaixo do sol...
Sol na eira e chuva no nabal no mesmo dia gera um arco-íris.
Outrora, elucidou-me uma ilustre professora de Direito: a segurança jurídica é uma premissa irrefutável dos direitos, liberdades e garantias do cidadão.
O incontornável filósofo Sócrates avisou a navegação antes de Jesus Cristo descer à Terra: "só sei que nada sei"! A douta ignorância que busca o conhecimento, a maiêutica que visa dar à luz a verdade. Após este deleite sobre o pensamento socrático, vou solicitar a um estimado amigo que me tire umas fotocópias enquanto faço as malas, sempre sonhei estudar filosofia sob o inconfundível sotaque francês.
Despido de ironia, afirmou com acerto São Tomás de Aquino: “A amizade diminui a dor e a tristeza.” Mais acrescento: a amizade é garantia, no caso jurídico em apreço, de prodigalidade e de qualidade de vida.
Um pagode, um regabofe expectável que não deixa ninguém atónito.
Dura iustitia sed iustitia!
quinta-feira, 8 de abril de 2021
terça-feira, 6 de abril de 2021
segunda-feira, 5 de abril de 2021
A DIGITALIZAÇÃO DO PRESENCIAL: OBJEÇÃO À REPLICAÇÃO
Sem delongas, manifesto, a priori, e em jeito inaugurador deste conciso artigo de opinião, uma cabal objeção à replicação no digital do presencial. O tempo presencial é diametralmente oposto ao tempo digital, a dimensão de atenção intelectual no espaço presencial e no digital não se situa em patamares de similitude, o que cria um feixe de vicissitudes e óbices no Enino à Distância, reclamando por bom senso na gestão do tempo, das estratégias, dos métodos e dos recursos pedagógicos.
A digitalização do presencial ou o presencial digitalizado é um terrível equívoco, ainda que denominemos os alunos por nativos e/ou residentes digitais, porquanto não alcança a dinâmica psicossomática do humano, a dimensão motivacional, a concentração cognitiva e, por inerência, condiciona toda a dinâmica do binómio ensinar-aprender. Mais se acrescenta que para muitos alunos o domínio digital está amiúde associado à dimensão lúdica do jogo, e não a ferramentas digitais para uso escolar, mormente estudar, aprender, realizar tarefas e desenvolver trabalhos.
Imagine-se uma criança sentada por tempo "infindável", focada diante de um ecrã horas a fio, a escutar, a falar e a interagir com discentes e docentes, numa pretensa dinâmica de processo ensino-aprendizagem.
Com esta abordagem de cariz mais didático e pedagógico, não queremos olvidar as crianças que não detêm as condições logísticas adequadas, ficando no ancoradas no cais, acentuando ainda mais as desigualdades sociais. Com factualidade, sem quaisquer reservas, o hiato entre os alunos é acentuado por razões de índole socioeconómica. É ponto assente que incumbe à escola assumir-se como elevador social, como mitigadora das diferenças, como promotora da igualdade de acesso a um ensino de qualidade para todos os alunos. O vocábulo todos/todas não deve, em momento algum, ser alvo de descarte. Estamos juntos no mesmo desígnio: mitigar as diferenças e ajudar a garantir condições de igualdade para todos. A perpetuação da desigualdade entre alunos de diferentes condições é o colapso do Sistema Educativo de um país que se traduz numa sociedade mais empobrecida, numa civilização amputada em evolução social, desenvolvimento económico, investigação científica, produção artística e cidadania ativa. Toda a sociedade perde quando os alunos advindos de condições socioeconómicas adversas não são ajudados a singrar, a alcançar sucesso educativo, triunfando a nível pessoal e laboral.
Posto isto, creio firmemente que esta replicação (horas a fio de aulas online) do presencial no Zoom, Webex, Meet, Skype, ou outra plataforma digital qualquer, suscitará muita coisa na efervescência que é a mente criativa e imaginativa de uma criança, todavia, duvido que o escopo seja o bem-estar psicossomático, a concentração cognitiva, a interpretação, a interrogação e, por consequência, a não efetivação de uma aprendizagem significativa, pelo que fica colocado em causa o interesse superior de crianças e jovens – o futuro da civilização.
A desigualdade social não é mitigada, sendo, lamentavelmente, ampliada pela falta de condições logísticas (computadores, velocidade de internet, literacia informática) e, essencialmente, por falta de apoio familiar a preceito.
Comummente escutamos a necessidade de uma Transição Digital, vindo a propósito o ensino à distância que recorre a dispositivos digitais para mediação do processo ensino-aprendizagem. Contudo, o mundo docente, discente e decente que se preocupa efetivamente com o ato educativo saberá, portanto, que não é suficiência bastante a mera aquisição de computadores, dispositivos tecnológicos e routers Wi-fi com acesso à internet, é crucial evoluir para uma Transformação Pedagógica, ministrando formação a docentes e discentes, explorando o potencial que emana do mundo informático, tecnológico e digital. Será determinante investir na inteligência artificial e na realidade aumentada dos jogos de computador para recriarem salas de aula virtuais, criando experiências de imersão que motivam os alunos, tal e qual sucede com a gamificação.
As perspetivas em torno da Educação do século XXI são liminares: mudam os alunos, muda a sociedade, muda a escola, muda a dialética de ensinar e aprender numa cultura de velocidade/vertiginosa, onde o obsoleto é hoje, é amanhã, é aqui e agora. A inovação pedagógica é um desafio emergente e premente perante os alunos nativos/residentes digitais. É nuclear implementar uma aposta sólida na formação docente para maximizar o potencial da tecnologia educativa ao serviço do ensino-aprendizagem. Há todo um mundo novo a explorar e todo um mundo velho a burilar. Ainda continuo crente que o binómio tradição e inovação cria sábias pontes de equilíbrio entre as tensões do passado, do presente e do futuro, pelo que considerando a memória projetamos o admirável mundo novo dos ambientes digitais/tecnológicos.
A Educação é um dos investimentos cimeiros de uma sociedade, abrindo para um oceano de oportunidades para crescimento humanista, social, económico, científico e tecnológico. Não obstante, e sem querer intentar em maniqueísmos entre meios digitais e meios tradicionais de ensino-aprendizagem, é certo que o mundo tecnológico é, indiscutivelmente, complementar do ensino presencial, fomentando aprendizagens significativas de saber, de saber fazer e de saber ser/estar em modalidade de trabalho colaborativo e individual do aluno sob supervisão pedagógica do docente, ora no uso do caderno/caneta/lápis, ora no uso da tecnologia/computador/teclado/rato. As mediações digitais e não digitais não são excludentes, mas vasos comunicantes da mesma realidade educativa ao serviço do processo ensino-aprendizagem.
À laia de conclusão, e recorrendo a uma analogia do mundo piscatório, precisamos de investimento em canas e, sobretudo, que nos ensinem a pescar, sendo o anzol a formação e o peixe o conhecimento.
Nelson Carneiro (Professor)
Regresso ao Presencial
Na reabertura das escolas (2.° e 3.° CEB), eis um poema que declama esperança e fortaleza em tempos de tribulação.
Falareis de nós como de um sonho.
Crepúsculo dourado. Frases calmas.
Gestos vagarosos. Música suave.
Pensamento arguto. Subtis sorrisos.
Paisagens deslizando na distância.
Éramos livres. Falávamos, sabíamos,
e amávamos serena e docemente.
Uma angústia delida, melancólica,
sobre ela sonhareis.
E as tempestades, as desordens, gritos,
violência, escárnio, confusão odienta,
primaveras morrendo ignoradas
nas encostas vizinhas, as prisões,
as mortes, o amor vendido,
as lágrimas e as lutas,
o desespero da vida que nos roubam
- apenas uma angústia melancólica,
sobre a qual sonhareis a idade de oiro.
E, em segredo, saudosos, enlevados,
falareis de nós - de nós! - como de um sonho.
Jorge de Sena, Ode para o futuro
PEGADA DIGITAL
Os algoritmos e a importância dos dados
Vivemos na era dos ecrãs. Vivemos ligados. Os nossos dados, a nossa vida, estão espalhados e acessíveis na Rede. Com que implicações? Quem os gere? Como os usamos em nosso benefício? Para entendermos esta problemática em toda a sua extensão, aborda-se a importância dos dados (uma revolução em curso que vai alterar a nossa forma de viver, trabalhar e pensar), os algoritmos e a importância crescente da reputação, nas nossas vidas.
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