quarta-feira, 18 de novembro de 2009

As proporções da Comunicação: dois olhos, dois ouvidos, uma boca.

Temos como ponto assente que o ser humano apresenta diferentes proporções fisiológicas no concernente à comunicação: deve-se ouvir mas escutar muito; deve-se olhar mas ver muito; deve-se falar mas dizer muito. A pessoa humana é um ser de relação, de comunicação e sociabilização consigo mesmo, com os outros, com o mundo e com Deus, por isso dizia um antigo professor para que me cuidasse perante “homens demasiado calados”, sem preconceitos perante a importância do silêncio humano, a sensibilidade das personalidades reservadas e das timidezes excessivas.

Reza a História que o Rei da Prússia, grande filósofo e intelectual, discutia uma vez com um amigo, também intelectualmente distinto, sobre qual teria sido a primeira língua dos Homens. Para o Rei da Prússia teria sido o Grego, a mais bela e harmónica de todas as línguas, neste sentido todas as outras línguas seriam derivações desvirtuadas do Grego. Para o amigo do Rei a primeira língua foi o Hebraico, porque foi a língua que Deus elegeu para falar e se manifestar ao mundo. O Rei teve uma ideia: foi à “maternidade” buscar um recém-nascido e entregou-a ao cuidado de uma ama, alertando-a para que não dirigisse uma única palavra à criança. Assim se passaram largos anos, a criança cresceu e um dia foi vista a falar sozinha para o sol, algum tempo depois sucumbiu e morreu. Os médicos foram unânimes em considerar que a criança sofreu uma profunda disfunção cerebral, uma inércia intelectual, pessoal e social.

Moral da história o Homem, a pessoa, foi cunhada com o marco insuperável da relação, da comunicação e sociabilização. A solidão destrói o Homem, porque lhe nega uma dimensão essencial à sua subsistência em sociedade. O Homem realiza-se na e pela palavra.



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