sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A FIDELIDADE À PROVA DE FACEB00K Da leitura do precioso livro de CLAUDIA MORAIS, psicóloga clínica, sobre “O amor e o facebook”, publicado pela Oficina do Livro, em setembro de 2011, gostaria de partilhar algumas das
suas reflexões, na medida em que a autora não se deixa levar por sentimentalismos balofos e procura seriamente encontrar caminhos para preservar a fidelidade conjugal e superar a infidelidade. Ficam aqui algumas notas de leitura: “Ao contrário do que se possa pensar, qualquer pessoa pode tornar-se vulnerável à infidelidade. É verdade que a infidelidade só acontece quando à vulnerabilidade se junta a oportunidade e que, mesmo aí, cada pessoa, pode fazer uma escolha, mas seria arriscado pensar que a nossa relação é à prova de infidelidade. Há muitas circunstâncias que podem aumentar a vulnerabilidade de uma relação ao aparecimento de una terceira pessoa: problemas de comunicação, desconexão emocional, falta de intimidade, perda de um familiar, desemprego, nascimento de um filho ou qualquer outro acontecimento que cause stress” (27). “Para muitas pessoas, a infidelidade é a resposta possível a uma situação de insatisfação conjugal. Mesmo que represente uma saída condenável, o início de uma relação extraconjugal está mais próximo da falta de capacidade para resolver os problemas do casamento do que da falta de amor (…) É a falta de competências relacionais que tantas vezes leva a que pessoas íntegras escorreguem por estes caminhos ” (157). “Alguns estudos indicam que 45 a 55 porcento das mulheres casadas e 55 e 60% dos homens casados têm relações extraconjugais” (146). “A infidelidade pode atingir qualquer casal e até as pessoas com comportamentos norteados por valores morais. Porque se desvalorizam, durante muito tempo, as emoções” (141). “Mesmo que represente uma saída condenável, o início de uma relação extraconjugal está mais próximo da falta de capacidade para resolver os problemas do casamento, do que da falta de amor. Nem todas as relações extraconjugais são fruto de uma paixão avassaladora pela terceira pessoa. A saturação e o desgaste no casamento podem abrir espaço para a entrada de uma nova pessoa” (157). “As pessoas traem o cônjuge pelas mesmas razões por que se separam, isto é, porque as suas necessidade afetivas, não estão a ser preenchidas pela relação oficial. Em muitos casos o que está em causa é a ligação emocional” (147). “Enquanto a maior parte das mulheres olha para a infidelidade emocional como sendo mais grave do que a mera infidelidade sexual, a maioria dos homens sente-se mais fragilizado com a infidelidade sexual, do que com a infidelidade emocional” (147). “A ânsia por dias melhores, a vontade de preservar a harmonia ou a simples crença de que, ao fim de algum tempo, a chama esmoreça, podem levar muitas pessoas a abster-se de ir manifestando a sua insatisfação conjugal. Mas o facto de não exteriorizarmos as queixas não faz elas desaparecerem. Pelo contrário, essa falta de clareza promove os erros do nosso cônjuge, valida os comportamentos disfuncionais. A páginas tantas, é mais fácil reconhecer o interesse por uma terceira pessoa e investir nessa relação, do que voltar-se para dentro do casamento. Estar sob o guarda-chuva da paixão é estar sob uma espécie de céu nublado, que tolda a perceção da realidade” (141). “Claro que a infidelidade é uma escolha, que não dignifica ninguém. E o sofrimento não fica só do lado da pessoa traída” (142). “Para muitas pessoas, o restabelecimento da confiança depois de uma infidelidade depende da clareza da resposta a algumas perguntas, a começar por aquela: «afinal, porque decidiste ser infiel»? (143). “Na maior parte dos casos, a infidelidade não é «o problema», é uma manifestação de problemas mais complexos. Nesse sentido, há muitos casais para quem esta crise, constitui a oportunidade para que a relação amadureça. Se os membros do casal decidirem voltar a lutar pela sua relação, pode constituir o primeiro passo, para o reforço da união” (155)! O facebook permite reatar laços com colegas de trabalho, de escola, ex-namorados e antigas paixonetas. É uma grande rede social, com mais de um milhão de utilizadores em Portugal e quase 500 milhões no mundo. “Seremos suficientemente competentes do ponto de vista emocional para lidar com os reptos que o facebook nos lança diariamente? Seremos tão assertivos quanto pensamos? Sobre o que vale a pena discutir? Que fundações caracterizam as relações seguras? Será que faz sentido pensar no Facebook como uma plataforma para a infidelidade?” (15). “Sendo o facebook a plataforma que mais facilmente nos coloca em linha direta com ex-namorados, ex-amantes, ex-paixonetas e amigos de outros tempos, é naturalmente uma via que facilita a aproximação a pessoas que nos dizem alguma coisa do ponto de vista afetivo. Por vezes esta nostalgia é confundida com paixão, tornando-se uma ameaça quando há problemas no casamento” (28). “A internet e o facebook fomentam a beleza, mascaram os defeitos de cada um e neste sentido constituem ferramentas poderosíssimas de aproximação entre pessoas, que se sintam insatisfeitas nas suas relações” (157). “Segundo um estudo revelado por advogados de família britânicos, o facebook é uma fonte de conflitos entre os casais, estando associado a cerca de 28 milhões de divórcios” (167). “Por outro lado nem todas as pessoas aproveitam o facebook para encontrar parceiros românticos. Diabolizar esta rede social implica olhar para o amor, como ligações que não se ajustam ao século XXI. E não é solução arredar-se desta rede. É um problema que tem de ser gerido com assertividade, confiança e respeito” (155). “Não me sinto capaz de olhar para o facebook ou para qualquer outra rede social como diabólica. Mas reconheço que existem alguns limites que podem e devem ser definidos, para que o amor não seja negativamente condicionado por esta evolução tecnológica. De resto, não é a tecnologia que provoca os divórcios, são as escolhas que fazemos, tanto on line como off line, que determinam o sucesso das relações amorosas” (167) Alguns conselhos: 1. Seja amigo do seu cônjuge no facebook! Não faz sentido ocultar ao cônjuge o que fazemos no mundo virtual; 2. Defina o seu estado civil, no facebook, para não dar azo a confusões; 3. Estabeleça claramente os seus limites, quanto aos convites de amizade, às páginas ou grupos que podem ser mal interpretados, à informação pessoal e à informação disponível; 4. Cuidado com os ex-namorados. Pare para pensar e analise esta possibilidade com o seu cônjuge. Estaremos preparados para lidar com tudo o que que vem à tona, quando o nosso parceiro volta a ligar-se, ainda que virtualmente, a antigas paixões? 5. Não fale mal do seu cônjuge, para não criar um desconforto insustentável; 6. Escolha bem os seus amigos e converse sobre isso com o seu cônjuge. Até que ponto podemos colocar as mãos no fogo pela eficácia da comunicação que mantemos com o nosso companheiro? 7. Não brinque com o fogo, adicionando amigos ou grupos “perigosos” para o entendimento entre ambos; 8. Não fale sobre os problemas do seu casamento no facebook, para não entrar numa zona de perigo emocional; 9. Proclame o seu amor pelo seu cônjuge no facebook, felicite-o e apoie-o. 10. Aproveite o facebook para comunicar com o seu cônjuge e mantenha o seu cônjuge a par do que acontece on line Cf. Cláudia Morais, O amor e o facebook, Ed. Oficina do livro, Alfragide, 2011, 14.169-185

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