DEUS
Não tenho palavras.
Gastei-as a negar-te…
(Só a negar-te pude combater
O temor de te ver em toda a parte.)
Fosse qual fosse o chão da caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente
Do teu vulto calado
E paciente…
E lutei como luta um solitário
Quando alguém lhe perturba a solidão.
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.
Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia…
Agora somos dois obstinados,
Mudos e malogrados, que apenas vão a par na teimosia.
MIGUEL TORGA
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